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terça-feira, 29 de abril de 2014

A caverna

Autor: José Saramago
Editora: Caminho
Classificação: ****

Uma pequena olaria, um centro comercial gigantesco... Um mundo em rápido processo de extinção, outro que cresce e se multiplica como um jogo de espelhos onde não parece haver limites para a ilusão enganosa. Este romance fala de um modo de viver que vai sendo cada vez menos o nosso e assoma-se à entrada de um brave new world cujas consequências sobre a mentalidade humana são cada vez mais visíveis e ameaçadoras. Todos os dias se extinguem espécies animais e vegetais, todos os dias há profissões que se tornam inúteis, idiomas que deixam de ter pessoas que os falem, tradições que perdem sentido, sentimentos que se convertem nos seus contrários... Fim de século, fim de milénio, fim de civilização. Uma família de oleiros compreende que deixou de ser necessária ao mundo. Como uma serpente que despe a pele para poder crescer noutra que mais adiante se há-de tornar pequena, o centro comercial diz à olaria: "Morre já não preciso de ti". Em A Caverna José Saramago enfrenta-se ao processo acelerado de desumanização que estamos vivendo. Com os dois romances anteriores Ensaio Sobre a Cegueira e Todos os Nomes - este novo livro forma um tríptico em que o Autor deixou inscrita a sua visão do mundo actual, da sociedade humana tal como a vivemos. Não mudaremos de vida se não mudarmos a vida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O caderno

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação: ****

Esta obra reúne o conjunto de textos diários balizados temporalmente entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Representa as reflexões, as opiniões, as sugestões, críticas aos mais diversos assuntos e sobre as mais diversas questões. Será uma obra em construção que conta com os artigos diários de Saramago publicados na página infinita da Internet.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A jangada de pedra

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação: *****

"«Em ""A Jangada de Pedra"" (...) o escritor recorre a um estratagema típico. Uma série de acontecimentos sobrenaturais culmina na separação da Península Ibérica que começa a vogar no Atlântico, inicialmente em direcção aos Açores. A situação criada por Saramago dá-lhe um sem-número de oportunidades para, no seu estilo muito pessoal, tecer comentários sobre as grandezas e pequenezas da vida, ironizar sobre as autoridades e os políticos e, talvez muito especialmente, com os actores dos jogos de poder na alta política. O engenho de Saramago está ao serviço da sabedoria.» (Real Academia Sueca, 8 de Outubro de 1998)".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Claraboia

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação: *****

A acção do romance localiza-se em Lisboa em meados do século XX. Num prédio existente numa zona popular não identificada de Lisboa vivem seis famílias: um sapateiro com a respectiva mulher e um caixeiro-viajante casado com uma galega e o respectivo filho - nos dois apartamentos do rés do chão; um empregado da tipografia de um jornal e a respectiva mulher e uma "mulher por conta" no 1º andar; uma família de quatro mulheres (duas irmãs e as duas filhas de uma delas) e, em frente, no 2º andar, um empregado de escritório a mulher e a respectiva filha no início da idade adulta. O romance começa com uma conversa matinal entre o sapateiro do rés do chão, Silvestre, e a mulher, Mariana, sobre se lhes seria conveniente e útil alugar um quarto que têm livre para daí obter algum rendimento. A conversa decorre, o dia vai nascendo, a vida no prédio recomeça e o romance avança revelando ao leitor as vidas daquelas seis famílias da pequena burguesia lisboeta: os seus dramas pessoais e familiares, a estreiteza das suas vidas, as suas frustrações e pequenas misérias, materiais e morais. O quarto do sapateiro acaba alugado a Abel Nogueira, personagem para o qual Saramago transpõe o seu debate - debate que 30 anos depois viria a ser o tema central do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis - com Fernando Pessoa: Podemos manter-nos alheios ao mundo que nos rodeia? Não teremos o dever de intervir no mundo porque somos dele parte integrante? (sinopse retirada do site da Wook).

domingo, 24 de julho de 2011

A viagem do elefante

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação: ****

“A viagem do elefante” é uma ideia que Saramago elaborava desde que, numa viagem a Salzburgo, na Áustria, entrou por acaso num restaurante chamado 'O Elefante'. A narrativa baseia-se na viagem de um elefante chamado Salomão, que no século XVI cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d’Áustria, resolveu oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos V, nada menos que um elefante. Esse facto histórico é o ponto de partida para José Saramago criar uma ficção em que se encontram pelos caminhos da Europa personagens reais de sangue azul, chefes de exército que quase vão às vias de facto e padres que querem exorcizar Salomão ou pedir-lhe um milagre.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ensaio sobre a cegueira

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação *****

Toda a gente cega. Eis a proposição do romance de José Saramago. A cegueira traz consigo a desordem social, como se pela porta aberta pelo medo entrassem os animais soltos que vivem em nós acorrentados pela razão.

Ensaio sobre a Cegueira é um livro duro, de uma violência verbal que vai desorganizando o mundo até o reduzir a lugar de escuridão, onde entra com timidez, aqui e além, um raiozinho de sol. É como se o autor não ousasse escrever a felicidade ou a sua hipótese.

Porquê um livro assim? José Saramago escora o romance numa indignação e num projecto ético. A necessidade de transcendência, que se inscreve numa linha de coerência anterior e pessoalíssima – lutas que ele vai entretendo com o Homem e a sua ideia de Deus, que faz cair nos magros ombros do Homem a responsabilidade final do seu destino – leva-o agora à negação do humano depois de ter negado o divino. (...) Trata-se do juízo final da Razão.

Clara Ferreira
Alves

In Expresso


O Ensaio sobre a Cegueira terá sido, talvez, o livro de saramago que mais gostei. O forte poder da narrativa, a maneira como ele nos transporta para aquele mundo terrível, onde a crueldade do ser humano é a tónica fundamental, é de um realismo arrepiante. Sendo certo que é um dos livros de Saramago mais fácil de ler não é, contudo, o mais fácil de "digerir", pois é praticamente impensável que o ser humano possa ser tão estúpido e cruel. Não é fácil transmitir o que se sente ao lê-lo. Só mesmo a sua leitura poderá revelar o universo de sensações que Saramago nos criou. Vale bem a pena.

domingo, 10 de junho de 2007

As pequenas memórias

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho
Classificação: ***

Este é um livro de recordações que abrange o período entre os quatro e os quinze anos da vida de José Saramago. Como o próprio autor referiu: "Queria que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou". Um livro de memórias, relembradas de forma singular, num estilo a que o Nobel português nos habituou há muito.