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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A memória da palavras ou o gosto de falar de mim

Autor: José Gomes Ferreira
Editora: Publicações D. Quixote
Classificação: *****

Publicado pela 1ª vez pela Portugália Editora, em 1965, inserido na colecção "Obras de José Gomes Ferreira". Recebe nesse ano o Prémio da Casa da Imprensa. No ano seguinte a mesma editora publica a 2ª edição. As publicações futuras ficaram a cargo das Publicações D. Quixote. Nesta obra o poeta dedica-se, ao longo de perto de duzentas páginas, a "pentear nuvens e lembranças", com ênfase para a sua primeira aventura Poética - (quando tinha 8 anos) : "no dia em que reparei na existência das palavras"- e a partir daqui todo o seu percurso dedicado à Poesia e Literatura (como uma espécie de redescoberta de si próprio).Apesar do carácter auto-biográfico da obra, Alexandre P.Torres interroga-se se o retrato que o autor apresenta será mesmo o verdadeiro, ou se o autor, como tantos outros autobiógrafos, é também um "mestre da omissão" (segundo a expressão de Goethe) : "E se sepulta o que lhe convém, mesmo quando a memória de si é a das palavras que recebeu e restituiu, e dos factos que fizeram com que elas fossem primeiro herdadas e depois legadas, não podemos acreditar que ele nos ofereça de bandeja mais do que aquela série de efemérides ligadas às circunstâncias que o ajudam a perpetuar uma certa imagem de si. (...) José Gomes Ferreira edifica, neste livro, uma persona, e, o que mais, transforma em persona as figuras do meio literário que são pano de fundo dos sucessos que evoca."O autor, de facto, na progressão da sua persona, não conta tudo a respeito de si próprio: num texto de 230 páginas (excluídas as "Glosas"), 148 são para nos contar a sua vida até aos 25 anos. Depois 80 páginas para 40 ano (paradoxalmente o período em que a sua verdadeira obra começa a surgir).Pode-se assim concluir que o autor se dedica àquilo que ele próprio considera mais importante na sua vida.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As aventuras de João Sem Medo - panfleto mágico em forma de romance

Autor: José Gomes Ferreira
Editora: Publicações D. Quixote
Classificação: ***** 

Este livro narra as aventuras de João Sem Medo, que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia de chorincas situada (ou melhor, aninhada) perto do muro construído em redor da Floresta Branca e onde os homens construíram uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos. Claro que ninguém se aventurava pela floresta, porque os choraquelogobebenses preferiam choramingar e lastimar-se, andando sempre de monco caído, sempre constipados por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções de cemitério ganidas por cantores trajados de luto, ao som de instrumentos plangentes e monótonos. Um dia João, o único que por capricho de contradizer e instinto de refilar resistia à choradeira, não aguenta mais e atreve-se a saltar o muro, que ostentava este aviso: “é proibida a entrada a quem não andar espantado de existir” e embrenha-se na Floresta Branca… A partir daí sucedem-se aventuras e seres milagrosos como a Fada dos Dois Caminhos, o Homem sem Cabeça, a Menina de Cristal, o Gramofone com Asas, o Príncipe das Orelhas de Burro, o Rocinante (sim, o cavalo de Dom Quixote), a Princesa nº 46734, o João Medroso, a Menina dos Pés Ocos ou a Pedra numa narrativa fantástica.