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terça-feira, 16 de agosto de 2011

O cemitério de Praga

Autor: Umberto Eco
Editora: Gradiva
Classificação: *****

Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, o aumento gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios Anciãos de Sião, que inspirará a Hitler os campos de extermínio, jesuítas que tramam contra os maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam os padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras. Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quem sabe, quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até que o único personagem inventado desta história seja o mais verdadeiro de todos, e se assemelhe muitíssimo aos outros que estão ainda entre nós.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A ilha do dia antes

Autor: Umberto Eco
Editora: Dífel
Classificação: *****

O navio de um jovem piemontês da pequena nobreza de Montferrato sofre um naufrágio nos mares do sul. Agarrado a uma tábua, ele chega a outro navio, completamente desabitado, mas cheio de objectos e recordações. O náufrago revive, então, na sua memória, histórias que descortinam a filosofia, a sociedade do século XVII e a sua cultura, como o facto de uma das ilhas em questão ser a famosa (na época) ilha onde se encontrava a linha imaginária sobre a exacta mudança de tempo (fuso horário), pois acreditava-se que o planeta Terra era plano e não uma esfera.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Baudolino

Autor: Umberto Eco
Editora: Dífel
Classificação: ****

Baudolino é um livro de Umberto Eco publicado em 2000 e é ambientado na Idade Média entre 1152 e 1204. É a história de um homem que se intitula "o maior mentiroso do mundo inteiro", contando seus feitos ao historiador Nicetas Coniates, feitos de íntima relação com mitos e acontecimentos históricos, entre guerras e uma viagem ao oriente, de um mundo jamais imaginado. Narra a aventura de um jovem adoptado por Frederico I, o Barba Ruiva, numa saga que vai desde a coroação deste imperador à invasão de Constantinopla pelas cruzadas - operação financiada pelos venezianos que permitiria o controle do Mediterrâneo. Com isso, Umberto Eco leva-nos para uma época de geografia não explorada em que terras e mares misteriosos pautavam projectos de aumento territorial, religioso e comercial, revelando ambições de governos, negociantes, intelectuais e aventureiros, como Baudolino e seus amigos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Nome da Rosa

 
Autor: Umberto Eco
Editora: Dífel
Classificação: *****

O enredo de O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. O investigador, o frade franciscano William de Baskerville, assessorado pelo noviço Adson de Melk, vai a fundo nas suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local, até que desvenda que as causas do crime estavam ligadas à manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, obras que não seriam aceites em consenso pela igreja cristã da Idade Média. No livro, Eco sugere um ambiente no qual as contradições, oposições, querelas e inquisições, no início do século XIV, justificam acções humanas, as virtudes e os crimes dos personagens, monges copistas de uma abadia cuja maior riqueza é o conhecimento de sua biblioteca. Para os personagens, a discussão do essencial e do particular, do espiritual e da realidade material, do poder secular e da insurreição, dos conceitos e das palavras entranham pelo mundo uma teia de inter-relações das mais conflituosas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A passo de caranguejo

Autor: Umberto Eco
Editora: Difel
Classificação: ****

Os escritos reunidos neste livro foram publicados entre o início de 2000 e o final de 2005, os anos do 11 de Setembro, das guerras do Afeganistão, da instauração de um regime de populismo mediático em Itália. Ao lê-los, o leitor comprovará que desde o fim do último milénio temos vindo a caminhar para trás a um ritmo dramático. Quase parece que a História, cansada das confusões dos últimos dois mil anos, se está a desenrolar em si própria, caminhando velozmente a passo de caranguejo. Este livro não pretende explicar o que devemos fazer para reencontrar a direcção certa, propõe-se apenas travar por alguns instantes este movimento retrógrado.

domingo, 10 de junho de 2007

História da Beleza

Autor: Umberto Eco
Editora: Círculo de Leitores
Classificação: *****


Este livro parte do princípio de que a Beleza nunca foi algo de absoluto e imutável, mas assumiu rostos diferentes segundo o período histórico e a região; não só no que diz respeito à Beleza física (do homem, da mulher, da paisagem), mas também em relação à Beleza de Deus ou dos santos ou das ideias.

Num mesmo período histórico, as imagens dos pintores e dos escultores pareciam celebrar um certo modelo de Beleza, a literatura celebrava outro. É possível que certos líricos gregos falem de um tipo de graça feminina que somente veremos realizada pela pintura e pela escultura de uma época diferente.

Por outro lado, basta pensar no espanto que sentiria um marciano do próximo milénio que descobrisse um quadro de Picasso paralelamente com a descrição de uma bela mulher num romance de amor do mesmo período. Não compreenderia a relação entre as duas concepções de Beleza.

Por isso, de vez em quando, deveremos fazer um esforço e ver como é que modelos diferentes de Beleza coexistem numa mesma época e como é que outros se vão mutuamente encontrando ao longo de épocas diferentes.