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quarta-feira, 9 de maio de 2012

A intervenção surrealista

Autor: Mário Cesariny
Editora: Assírio & Alvim
Classificação: *****

“Nenhum movimento como o surrealismo propôs tanto, a um só tempo, uma real cidadania para todos e uma real liberdade de cada um consigo. […]
Este livro não será uma antologia nem uma recolha exaustiva mas a indicação de um sentido de marcha com, à direita e à esquerda, declives e barreiras muito à vista.”

Mário Cesariny no prefácio deste livro.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Causa das Coisas


Autor: Miguel Esteves Cardoso
Editora: Assírio & Alvim
Classificação: ***** 

A Causa das Coisas é um conjunto de pequenas crónicas publicadas no inicio/meados da década de 80 no jornal Expresso por Miguel Esteves Cardoso e que, partindo das mais variadas coisas, palavras, expressões, tiques ou defeitos, caracterizam bem o povo português e o estado da nossa sociedade (naquela época, mas também agora, pelo que a sua actualidade se mantém), numa mistura mordaz de humor e crítica social.

“Entre as afecções de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma há tão generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite é uma inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. É altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e até hoje não se descobriu cura.
A Portugalite é contraída por cada português logo que entra em contacto com Portugal. É uma doença não tanto venérea como ‘venal’. Para compreendê-la é necessário estudar a relação de cada português com Portugal. Esta relação é semelhante a uma outra que já é clássica na literatura. Suponhamos então que Portugal é fundamentalmente uma meretriz, mas que cada português está apaixonado por ela. Está sempre a dizer mal dela, o que é compreensível porque ela o trata extremamente mal.
Chega até a julgar que a odeia, porque não acha uma única razão para amá-la. Contudo, existem ‘cinco sinais’ — típicos de qualquer grande e arrastada paixão — que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a lógica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ‘bocas’ que mandam. (…)”
Miguel Esteves Cardoso