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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Diário de um killer sentimental

Autor: Luis Sepúlveda
Editora: ASA
Classificação: *****

Com Diário de um killer sentimental, Jacaré e Hot Line – três novelas que foram previamente publicadas em folhetim nos jornais El Mundo e El País e que aqui se agrupam sob a forma de livro – Luis Sepúlveda regressa ao género policial, que já havia abordado com sucesso em Nome de Toureiro. Escritor multifacetado, que domina com igual mestria o romance de recorte clássico, o relato de viagens ou o conto infantil, Sepúlveda encontra no chamado género "negro" o veículo ideal para, simultaneamente, dar guarida à sua inesgotável veia de contador de histórias e à sua preocupação pelos condicionalismos sociais. Aqui ficam pois três "pérolas negras": para deleite dos milhares de leitores que já fizeram de Luis Sepúlveda o mais "português" dos escritores latino-americanos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Triângulo

Autor: Pedro Garcia Rosado
Editora: Edições ASA
Classificação: ****

Joel Franco, Rosa Custódio e Jaime Paixão foram amigos e colegas na Faculdade de Direito e, mais tarde, entraram todos na PJ. Os seus caminhos, entretanto, afastaram-se, até que um caso que envolve um primeiro-ministro extremamente colérico volta a uni-los, mas da pior maneira. Jaime Paixão é agora adjunto do ministro da Justiça e Joel trabalha na Secção de Homicídios da PJ quando Rosa Custódio é encarregada de dirigir uma equipa que se vê a braços com o cadáver da namorada do primeiro-ministro. E, enquanto Rosa procura contornar os obstáculos políticos que dificultam a descoberta da verdade, devido às manobras de um pequeno grupo de conspiradores entre os quais se encontra Jaime Paixão, o inspector Joel Franco lança-se numa cruzada pessoal.

Chegou o momento de o protagonista desta série ir finalmente ao encontro dos suspeitos do homicídio de Augusto, seu amigo de infância, morto no seminário que ambos frequentavam. A perseguição do assassino levá-lo-á, de resto, da Serra da Estrela à Lagoa de Óbidos, onde actua uma rede de pedofilia e prostituição de luxo que tem por cabecilha uma misteriosa empresária conhecida por Medusa. Mas ela tem também ligações ao caso que Rosa Custódio quer resolver.

Triângulo segue-se a "A Cidade do Medo" e a "Vermelho da Cor do Sangue" (já traduzido em Espanha) e faz do inspector Joel Franco uma das personagens mais importantes do thriller português, que, nesta obra, enfrenta o maior e mais exigente desafio da sua vida.

«Não Matarás» é uma série de thrillers ambientados em Portugal e com personagens portuguesas. O seu protagonista é Joel Franco, inspector na Secção de Homicídios da Polícia Judiciária que, em todos os crimes que resolve, sabe estar a vingar uma morte a que assistiu na infância.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma história suja

Autor: Luis Sepúlveda
Editora: Edições ASA
Classificação: *****

“Nas páginas de um caderno de capa negra que sempre me acompanha (na realidade, uma Moleskine), anoto as minhas dúvidas, os meus assombros, os acasos de cada dia. E também pequenos artigos, capítulos de romance, contos, receitas de cozinha, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Ao folheá-las durante a breve cerimónia de adeus que antecede a inauguração de um novo caderno, leio o que está escrito e costumo descobrir que não perdi a capacidade de assombro. Folheá-las é rebobinar a vida e vê-la fugazmente, fotograma a fotograma.”
Foi desses cadernos que Luis Sepúlveda retirou os textos que compõem o presente livro. Textos que, na sua maioria, nos falam de uma “história suja”, ou seja, de tudo aquilo que nos rodeia na cena política internacional. Sepúlveda não é um escritor neutro – ele toma sempre partido e não tem medo de expor as suas convicções. Só que sempre o faz com os olhos de um narrador, de um contador de histórias, de alguém que inventa um mundo mais “limpo” mesmo quando fala da sujidade do mundo que temos. "Uma História Suja" é pois, à sua maneira, o testemunho literário de alguém que antes de ser escritor é um homem comprometido com os homens e com o mundo que o rodeia.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O poder dos sonhos

Autor: Luis Sepúlveda
Editora: Edições ASA
Classificação: *****

"Sonhamos que é possível outro mundo e tornaremos realidade esse outro mundo possível", afirma Luis Sepúlveda, e esta não é apenas uma declaração de intenções. Como é seu hábito, o escritor chileno usa o seu talento de narrador para denunciar o estado de inquietação do país que ama e que o viu nascer, do país onde escolheu viver e do mundo inteiro em geral. O empenho cívico que o incita a acusar a veiculação de informação corrompida, a condenar "o indigno atoleiro que hoje é o Iraque", a criticar a guerra e a mostrar a sua indignação pelas vítimas da tortura ou do "friendly fire" possui a mesma profunda raiz humana com que recorda as companheiras e companheiros dos afortunados anos de Salvador Allende e com que homenageia os amigos de sempre. É portanto um forte sentimento de humanidade o que une as histórias e reflexões aqui reunidas, sempre pontuadas por uma convicta e apaixonada participação no destino dos marginalizados, dos esquecidos e das vítimas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Vermelho da cor do sangue

 
Autor: Pedro Garcia Rosado
Editora: Edições ASA
Classificação: *****

Quando um mercenário ucraniano conhecido por Gengis Khan assalta a casa do banqueiro Ramiro de Sá, além de um segurança morto e das jóias roubadas, deixa atrás de si um problema inesperado: do cofre do banqueiro foi também levado o passaporte de Valentim Zadenko, um emissário do partido comunista da União Soviética que entrou em Lisboa no dia 24 de Novembro de 1975 e aí desapareceu misteriosamente. Enquanto o inspector Joel Franco, da Polícia Judiciária, investiga o homicídio do vigilante, o passaporte torna-se uma relíquia que muitos querem deitar a mão: não só o próprio Ramiro de Sá, mas também o chefe da máfia russa, um inspector do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, um veterano do PCUS que foi camarada de Zadenko e ainda Svetlana, a filha do operacional desaparecido, que vem para Lisboa à sua procura, alertada por um angolano que estudou em Moscovo e participou no assalto. Na busca do documento, todos os caminhos acabarão, mais tarde ou mais cedo, por ir dar a Ulianov, um ex-KGB especialmente treinado que em Portugal se tornou dirigente de um grupo criminoso. Joel terá de contar com a sua ajuda para desenterrar uma conspiração criminosa que nasceu no PREC e envolveu militares revolucionários, banqueiros, assassinos... e várias garrafas de Barca Velha.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Patagónia Express

Autor: Luis Sepúlveda
Editora: Edições ASA
Classificação: ****

Homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e das mulheres da Patagónia, estes "apontamentos de viagem" — como lhes chama Luis Sepúlveda — vêm uma vez mais comprovar a qualidade literária já evidenciada em livros como O Velho que Lia Romances de Amor, Nome de Toureiro ou Mundo do Fim do Mundo.
Desde os seus primeiros passos na militância política, que o levaram à prisão e depois ao exílio em diferentes países da América do Sul, até ao reencontro feliz, anos depois, com a Patagónia e a Terra do Fogo, é uma longa viagem (e uma longa memória) aquela que Luis Sepúlveda nos propõe neste seu novo livro.
Ao longo dele, confrontamo-nos com uma extensa galeria de personagens inesquecíveis e com um conjunto de histórias magníficas, daquelas que só um grande escritor é capaz de arrancar dos labirintos da vida.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A hora de Sertório

Autor: João Aguiar
Editora: Edições ASA
Classificação: ****

"A Hora de Sertório"; é um romance histórico, um retrato bastante fiel da época de crise da República romana, mais concretamente aquando da conquista das províncias hispânicas por parte de Roma (século I a.C.). Evidencia-se o papel importante de Quinto Sertório, general romano, que numa época marcada por uma forte agitação social e fazendo parte da lista dos proscritos de Roma, chega à Península Ibérica, desenvolvendo uma política que visa captar apoios dos povos hispanos, através da adopção de medidas populares. O seu objectivo era organizar um modelo de governo que iria reproduzir na Península o que para ele constituía um modelo - Roma.

O percurso narrativo do livro é-nos dado por três personagens: Euménio de Rodes, filósofo grego; Lúcio Hirtuleio, o amigo mais fiel de Sertório; e Medamo, um jovem Lusitano filho adoptivo de Euménio de Rodes, que irá engrossar as fileiras das suas tropas. O Quinto Sertório que nos é dado a conhecer por João Aguiar é um homem duro, um militar exímio, dotado de uma grande inteligência e calculismo. Por outro lado, temos também um homem sensato, justo e, por vezes, até amável. É uma personagem que não se deixa levar por emoções, paixões ou sentimentos mais banais, quando se trata de alcançar objectivos propostos. Uma primeira e rápida leitura da obra faz-nos pensar em Sertório como um herói e um libertador para os povos hispânicos, mas uma leitura mais atenta faz-nos perceber que, afinal, Sertório luta para instaurar na Península Ibérica um modelo de Estado Romano (da forma como ele o concebe e não como o que existe na realidade do seu tempo), tendo-o a ele como chefe de Estado.

Resumindo, de um lado temos o relato histórico, factual, onde se relatam os acontecimentos de uma forma objectiva (sem com isso se retirar a subjectividade do autor, patente na sua clara preferência pelo nosso herói); por outro lado, temos um romance, cujo autor teve a preocupação de se manter fiel à História, mas com traços literários próprios do género, utilizando a ficção onde os factos históricos não eram suficientes para preencher toda a acção e onde havia lacunas históricas. Um livro notável de um autor que vale a pena ler.